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3 de jun. de 2025

The Emptiness Machine não deveria acostumar, mas acostuma

Quando Linkin Park voltou à ativa, com sua nova vocalista e lançou The Emptiness Machine, amei a música na hora! Até hoje vou ao trabalho cantarolando embora, claro, eu não tenha a potência vocal de Emily Armstrong. 

Os arranjos e as letras lembram na hora a essência da banda californiana e fiquei um tempo pensando o que me atraía tanto nesta canção especificamente. 

Até que lembrei de uma das crônicas mais famosas de Marina Colassanti, que nos deixou  em janeiro deste ano: "Eu sei, mas não devia". 

Tanto o texto de Colassanti quanto a canção The Emptiness Machine mostram a dureza de uma realidade em que a gente acaba operando nossa vida no piloto automático, esperando por pequenos momentos de felicidade ou alegria para dar sentido ao que fazemos. 

Marina já começa impactando na primeira linha:

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia". 

A sociedade de consumo que nos empurra para uma vida nem um pouco plena, na crônica de Marina Colassanti, pode muito bem ser a "máquina do vazio" retratada na canção de Linkin Park. 

"Deixo você me cortar, só para me ver sangrar" é a frase que inicia o refrão da música. "Deixo você me cortar" já sem reclamar, sem sentir dor, sem saber o que afinal de contas a sociedade espera depois de nos fazer cair nas promessas de uma máquina do vazio. 

A mesma máquina que nos acostuma a  (...) "não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a naõ abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão". 

E, aos poucos, desiste de ser quem é(...) e não sabe porque espera por algo que não irá receber... Mas continua esperando, enquanto  deita "cedo e dorme pesado sem ter vivido o dia" enquanto deseja ardentemente "fazer parte de alguma coisa", um desejo que pode muito bem ter sido plantado em nossa mente sem ser o que realmente almejamos para nossas vidas, no final das contas. 


Abaixo, um vídeo com o texto de Marina Colassanti e outro com um clipe legendado de The Empitness Machine. 






Até mais!!!


2 comentários:

  1. Gostei muito de te ler e adorei o vídeo da Marina.
    Triste mesmo,mas real: E tantas coisas simplesmente acosatumamos, mas nunca a elas deveríamos achar normais!!! beijos, ótimo domingo e semana! chica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Chica! Passou da hora de "desnormalizar" certos comportamentos e "verdades" implícitas na sociedade.
      Abraços!!!

      Excluir

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