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Resenha: Tartarugas Até Lá Embaixo, de John Green




Ano: 2017
Páginas: 269
Editora: Intrínseca 

Tradução: Ana Rodrigues









Aza Holmes tem dezesseis anos e  está no ensino médio, levando uma rotina normal de estudante, até onde é possível. Porém, costuma refletir excessivamente sobre o funcionamento de seu corpo, perdendo-se em pensamentos sobre fatos aos quais a maioria das pessoas não dá muita importância, como o processo de digestão de uma refeição, a proporção entre células de seu corpo e as bactérias que o habitam, o ritmo da respiração ou as implicações em esquecer de trocar um curativo na hora certa. 

Aza, no início do livro, diz se sentir uma coadjuvante. Alguém que está apenas como espectadora, assistindo sem participar realmente de sua vida. Nunca aqui e agora, nunca por inteiro. Sempre o alguém de outra pessoa: a filha da diretora, a amiga da personagem empoderada, a menina que sofre de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), mesmo com as pessoas que ela ama ao seu redor reiterando que não, Aza não é apenas sua doença. 

Além deste sofrimento constante, a personagem principal lida com a falta do pai, falecido quando ela ainda era criança e do qual guarda duas lembranças que lhe são muito caras: o celular dele e um carro, que recebeu o nome de Harold.  


Um bilionário que é alvo de vários processos está desaparecido. A melhor amiga de Aza, Daisy, a convence a ajudá-la na resolução deste mistério, de olho em uma polpuda recompensa. 
Nesta empreitada, Aza reencontra um amigo de infância, filho do bilionário. Agora, além de lidar com sua tempestade interna diária, também terá de lidar com as implicações deste reencontro enquanto ela e sua amiga tentam descobrir o paradeiro do empresário.

Apesar de ser fácil deduzir que haverá um romance, este não é o ponto central da trama.  Nem a resolução do mistério do desaparecimento do empresário chega a ser o ponto alto: o livro mostra o ponto de vista de Aza, e como ela, apesar de viver caindo em uma espiral causada pelos pensamentos indesejados, vai aprendendo a lidar da forma que pode com esta realidade.


John Green descreve de maneira precisa -  como só alguém que sofre deste transtorno conseguiria - a sensação de perda de controle, a  avalanche de pensamentos que tomam conta da personagem e como o “outro eu” dela a obriga a tomar algumas atitudes que sabe serem irracionais, mas não consegue evitar.



A história do livro é simples e a leitura flui com facilidade, apesar dos vários parágrafos narrando o que se passa na cabeça da protagonista. Dá para notar como Green fala através da personagem, explicando como se sente em relação ao TOC com o qual convive. 
Há quem diga que o livro é simples demais e possui inconsistências, porém prefiro pensar nele como uma oportunidade para discutir sobre saúde mental. Há muitas pessoas que ainda menosprezam os transtornos mentais, e ler o ponto de vista de alguém que lida com problemas desta ordem talvez ajude a colocar um pouco de lucidez na cabeça delas.


Para saber mais

vídeo no qual o autor fala sobre o livro ( legendado, abaixo): 




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Algumas sugestões de onde encontrar o livro: 





Livraria Saraiva

Estante Virtual


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Esta postagem faz parte do desafio literário 2019  proposto pela Sybylla, do blog Momentum Saga  .


Outras postagens que fazem parte deste desafio:

1) Desmortos, de Mary C. Müller - Um livro Young Adult

2) Tartarugas até lá embaixo, de John Green - Um livro que eu deveria ter lido em 2018





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