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31 de ago. de 2018

1 Imagem, 140 Caracteres # 259

Bom dia! 


Estava procurando uma imagem que lembrasse justiça, pensando nos desmandos de nosso governo federal, quando acabei encontrando referências à arte de Jens Galschiøt. 

Jens Galschiøt é um escultor nascido na Dinamarca, em 1954, que já criou várias esculturas com o tema Arte em Defesa do Humanismo. Em 2002, em parceria com Lars Calmar, criou a escultura "Survival of The Fattest" (Sobrevivência dos mais Gordos). 
Esta estátua foi instalada ao lado da famosa estátua da Pequena Sereia em dezembro de  2009, durante a cúpula do clima em Copenhague, mas também já foi exibida em muitos lugares. 

Deixo com vocês a imagem da escultura, que leva a muitas reflexões... 




Esperança não pode ser apenas uma palavra passiva, precisa de ação para transformar! Não podemos esperar mais para tirar o peso dos ombros!


Tenham um bom final de semana!



29 de ago. de 2018

Submerso




 I miss the comfort in being sad, I miss the comfort in being sad...

    Bernardo dedilhava no velho violão, de forma lenta, talvez da mesma forma que Kobain teria dedilhado antes do tiro fatal. 
Aquela viagem estava sendo mais uma coisa estúpida, no amontoado de outras coisas sem sentido que seus pais lhe impunham desde o diagnóstico de depressão, que recebera no ano anterior. 

   Sentia-se cansado, simples assim. Não era de nenhuma ajuda os conselhos que vinha recebendo desde o diagnóstico: desde o clássico "é falta de Deus no coração" até " estes remédios estão fazendo mal a você". Tá, os remédios estavam fazendo mal? Então por que o tio enxerido que veio com essa não jogava as injeções de insulina fora, para ficar bem? 
  
 Os pais ficaram tão afoitos em "curar a depressão" a qualquer custo, que a cada mês um plano mirabolante era posto em execução para desespero de Bernardo, que só queria continuar levando a vida normal que levava, pelo menos dentro do que fosse possível. 

Um mês foi uma viagem de avião para ver um show de rock, outro mês foram sessões de psicoterapia (pelo menos desta vez ele conseguiu se sentir um pouco melhor), no seguinte a psicoterapeuta foi dispensada pois os pais não viam "nem um sorriso" no filho, e trocaram por sessões de ioga. O problema não eram as ideias, era a falta de paciência  dos pais com o processo. Bernardo, coitado, não tinha voz. Mal conseguiu protestar quando as sessões de psicoterapia e ioga foram suspensas pois os pais dele não estavam vendo resultado - poxa, que resultados queriam em um mês apenas? 
         
Agora estava em um cruzeiro, sendo obrigado a dividir uma cabine com os pais, que estavam com a ideia fixa de que passar um mês em uma forçada convivência familiar era o que faltava para dar equilíbrio a eles e deixar Bernardo "melhor da cabeça". De que adiantava ter pais ricos a ponto de poder sair a passeio de férias quando dava na telha, viver rodeado de bens materiais, se o que ele mais precisava era simplesmente ser ouvido? Será que era tão difícil eles perceberem isso?

      Seu único conforto ultimamente era a troca de mensagens com Sabrina, sua melhor amiga, com quem passaria mais tempo pessoalmente se não fosse a mania dos pais de correr mundo. 
Sabrina era a primeira a dar "bom-dia" e quem desejava bons sonhos quando Bernardo, enrolado nas cobertas, fixava a tela do celular, escondendo-o debaixo do travesseiro quando alguém chegava perto. Era ela quem tinha sempre uma palavra amiga, o ombro onde Bernardo poderia desabafar, e ótima ouvinte nos momentos em que não sabia como ou o que falar para ele - e quando palavras não precisavam ser ditas. 
Era a única conversa no WhatsApp que não apagava, nem mesmo os gifs mais bobos. Quando não conseguia ficar online, revisitava todas as conversas, relendo as palavras reconfortantes de sua amiga.  
  Naquela noite, ficou um tempo observando as ondas revoltas do mar, sentindo a brisa e o doce barulho das águas. O cheiro e gosto de sal chegava até sua boca, levando lembranças de uma infância e início de adolescência felizes. 
Não sabia precisar o momento em que os dias começaram a parecer-lhe uma sucessão de momentos cinzas e sem graça. Tinha momentos felizes, claro, mas algo sempre o instigava, não deixava a sensação de felicidade ser completa. Sorria, sem o brilho nos olhos. Conseguia gargalhar, mas o sentimento era agridoce. Cada dia passado era um alfinete a mais espetando-o de forma invisível. Os pais, com suas constantes mudanças de planos, estavam sem perceber fazendo a situação de Bernardo piorar. Ele bem tentava dizer que se sentiria melhor ficando em sua casa, perto de seus amigos, continuando a estudar, enfim, se esforçando para manter a rotina, porém mesmo tendo bastante acesso à informação seus pais continuavam todo mês sugerindo algo diferente, como se esperassem que a situação de Bernardo se resolvesse em um passe de mágica. 
"Tente a receita desta forma. Se não deu certo, mude um ingrediente. Se não deu certo de novo, mude o fogão, ou as panelas, ou os temperos. Nem suspeite que você pode estar fazendo algo errado com os ingredientes que tem". 
Após escrever esta anotação em seu bloquinho - Bernardo tinha uma coleção de bloquinhos onde anotava ideias genéricas a respeito de tudo - rasgou a folha e a prendeu na cadeira onde estava. Aproximou-se da proa e suspirou fundo, sentindo a maresia. Com o violão, dedilhou e cantou baixinho:
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto que isso passa, 
Amanhã é outro dia, não é? 
Será que algum dia conseguiria pelo menos fingir estar sempre bem? 
Um movimento em falso fez o violão escorregar. Bernardo contemplou, incrédulo, o instrumento se precipitando  em direção às águas escuras e frias, o ruído do contato entre seu velho companheiro e as ondas. Deixou-se ficar aí, observando  até mal divisar o contorno do violão afundando, despedindo-se. Bernardo imaginou onde ele cairia,se ficaria no fundo do mar, rodeado daqueles peixes abissais sobre os quais lera há tempos em algum site científico. Ou se acabaria nas areias de alguma praia,em outro canto qualquer do mundo, talvez em um lugar onde acabaria parando com seus pais, já que não tinha ideia de quanto tempo ficaria naquele navio. 
Por um momento pensou em mergulhar naquelas águas frias, na escuridão, como seu violão fizera involuntariamente. 

Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida. 
Sentia-se assim, submerso. Como seu violão estaria em breve, imerso no desconhecido, no fundo de algo, onde os ruídos do mundo chegavam abafados e indistinguíveis. Sentiu o celular vibrar. Era Sabrina. Como, por graça de Deus, esta menina ainda mantinha contato com ele, ainda o suportava? 
Não me dê atenção.. mas obrigado por pensar em mim. 
Sem saber, devia sua vida a Sabrina, mais uma vez. O celular vibrando o tirara por instantes do devaneio em que se encontrava, do ímpeto de satisfazer o desejo de seguir seu velho e agora perdido violão. 
Oi, já é noite aí? Em que país você está? 
Nem sei, Sabrina. Não sei se já saímos da costa brasileira. É noite e só vejo oceano. 
E como você está se sentindo agora? 
Perdi meu violão, Sabrina. Cheguei perto demais da proa
Puxa... Fico triste por você... Sei como amava seu violão. 
Sim.. 
Sabrina gravou um áudio para animá-lo. Bernardo catou rapidamente de seu bolso os fones de ouvido e estava se preparando para ouvir, quando uma voz estridente ecoou pelo convés agora já vazio: 
-Bernardoooo... vem dormir, fica com a gente! 
Era sua mãe. Dando uma última olhada para  as águas agora mais escuras, pegou a folha do bloquinho que deixara na cadeira e foi encontrar a mulher, que tinha uma expressão preocupada no rosto. 
 Sem protestar, entrou em sua cabine, deu boa-noite aos pais, deixou que apagassem a luz e escondeu-se sob o cobertor, para poder ouvir a voz de sua amiga antes de tentar dormir. 
Um áudio simples, em que ela exaltava a amizade dos dois e prometia a Bernardo que ele poderia contar com ela sempre, sempre que precisasse. 
"Obrigado", ele enviou. "Você me entende melhor que qualquer pessoa neste mundo. E se, ou quando, eu voltar, faremos aquele passeio que vivo te prometendo. Pode me cobrar". 
Voltou a pensar no seu violão e na viagem que ele estaria fazendo, ao sabor das ondas, deixando Bernardo sozinho. Pensou sobre o inferno que sentia passar, sobre suas amizades, os tratamentos que ficaram incompletos. Era menor de idade, mas precisava se impor de alguma forma, estava sendo arrastado pelos pais para algo que não queria fazer. Com o brilho da tela do celular, encontrou no chão a folha que havia rasgado de seu bloco.  Silenciosamente, colocou-a sobre o criado mudo que estava ao lado da cama de seus pais. Talvez, só talvez, isso os ajudasse a perceber que algo estava errado naquela viagem maluca que eles organizaram, sem sequer revelar a ele o roteiro. 
De olhos abertos,virado para cima, um último pensamento chegou a Bernardo antes que o cansaço o vencesse: algum dia aquilo teria fim? 




(Quando comecei este conto, a ideia era a personagem seguir o destino do violão.. mas acabei amolecendo e fiquei com pena de matar Bernardo. Preferi deixar o questionamento, mostrando a angústia que as pessoas que tem depressão passam e o sofrimento de imaginar se algum dia este inferno terá fim. ) 



Depressão não é frescura. 
Depressão nem sempre tem um motivo forte ou é fruto de trauma. 
Depressão É DOENÇA. E precisa de tratamento. 
Depressão mata, e preconceito também. 
Depressão não é apenas tristeza, esqueça os estereótipos. 



24 de ago. de 2018

1 Imagem, 140 Caracteres # 257

Oi, povo! 

Fala aqui a sumida, voltando para deixar a nossa imagem da semana! 

Tudo bem com vocês? 

Espero que tenham tido ótima semana! 

Aqui já deu frio e chuva, sol e  calor na mesma semana (pelo menos durante o dia) e as coisas vão seguindo.. 

Se alguém tiver enviado alguma imagem para o e-mail do blog e eu ainda não tiver usado, peço desculpas, há mensagens que simplesmente não chegaram lá e só percebi depois de uma limpeza. 
Para quem quiser contribuir com sugestões de imagens, o e-mail do blog é devaneios@devaneiosedesvarios.com. 

Segue a imagem, com votos de um maravilhoso final de semana! 



Imagem retirada do site Folha do Mate



Dois futuros, dois vir-a-ser se tocam.. Mas isto só acontece por conta do presente. Reflitamos!



Até mais!



17 de ago. de 2018

1 Imagem, 140 Caracteres # 256

Oi, povo lindo! 

Peço desculpas pelo atraso, me embananei no horário das postagens e o resultado foi este. 

Mas enfim, aqui estamos! 


Tocar um instrumento musical é ótimo, relaxa e alivia (pelo menos aos que sabem tocar, ahaha). Aqui em casa temos violão, guitarra e teclado, mas atualmente só meu esposo que toca.. a madame aqui anda meio relaxada. 

Enfim, enquanto ouvia meu esposo tocando veio à minha mente a ideia para a imagem desta semana, e ei-la aqui! 



Notas vão surgindo na mente, 
A melodia se faz,
Sentimentos flutuam pelo ar 
e por um instante a vida fica mais leve...



Tenham um ótimo final de semana!








10 de ago. de 2018

1 Imagem, 140 Caracteres # 255

Bom dia! 

Tudo bem? 

Tanta coisa é importante, pensamos necessitar de tanto, mas muitas vezes esquecemos do essencial. E é pensando nisto que a imagem escolhida para nossa #1Imagem140Caracteres  desta semana é a abaixo: 




Sentindo a água fresca e limpa em minhas mãos, sonho com o dia em que  vê-la neste estado seja a regra, não a exceção. 



Bom final de semana! 



8 de ago. de 2018

Resenha: Rosina em Conto e Verso, de Antonio Albércio Steilen

Este post faz parte do Desafio Literário 2018



Um livro de autor/autora brasileira 

Nota: Leio muitos, muitos livros de autores/as brasileiros/as, porém escolhi este para a resenha por ser de um conterrâneo meu. 




Rosina em Conto (canto) e Verso

Autor: Antonio Albércio Steilen ( Béli) 
Edição: 1 - maio de 2017
Ilustrações de João Francisco Steilen ( filho do escritor)
172 páginas
Editora: Gráfica e Editora 3 de maio.



Béli, neste livro, leva a gente a sonhar com tempos antigos e e relembrar fatos da infância, principalmente para quem cresceu ouvindo as histórias de nossos pais, avós e antepassados. O livro, com seus vários contos e poemas, é quase uma ode à nossa terra, à história da imigração aqui na região em que foi escrito. Quem mora aqui nesta cidade (Rio dos Cedros) e nos arredores, conhece várias pessoas descritas nos contos do livro, identifica-se com as expressões e costumes.. Mas mesmo quem não conhece, não terá dificuldade em compreender as histórias e traçar paralelos com sua realidade. 

O livro inicia já emocionando com o conto " A Lua por Testemunha", dividido em três partes. Este conto, que homenageia os pracinhas da FEB, mostra pelos olhos da personagem principal - Anselmo - a dura realidade da Segunda Guerra Mundial e a dor de separar-se da família, amigos e de um amor sincero sem haver certeza de que haverá um reencontro. A ficção e a realidade se encontram nesta história, com menção a pracinhas e fatos que realmente ocorreram, enquanto Anselmo segue ansiando o reencontro com a mulher que tanto ama. 
Ilustração de João F. Steilen para o conto
"Barro Branco"

Além deste conto, também há alusões a lendas e aparições, como em "Barro Branco",(uma localidade distante do centro do município) onde Béli narra uma das histórias de seu tio Eduardo sobre o  local ser amaldiçoado e pessoas que ouviram vozes e chegaram a ver fantasmas por lá. Aliás, este Tio Eduardo é mencionado em outro conto, também de "assombração". 

A linguagem, muitas vezes corrida e com longos parágrafos, é a marca registrada de Antonio Albércio neste livro, dando a impressão a nós leitores de estarmos em uma varanda em uma tarde quente de verão, ou em uma fria noite perto de um fogão a lenha, ouvindo alguém da família contando histórias de tempos passados, entre um gole de café e outro, misturando o português com o "Talian" ( dialeto com base na língua italiana, falado por bastante gente aqui na região). 

Além dos contos, também há poemas, dentre os quais um dos que mais gostei foi "Rios da minha Terra", que fala de alguns rios daqui do município, enaltecendo algumas comunidades do interior. 

Béli mora em uma localidade chamada de Rio Rosina, e seu amor por esta terra é evidente do início ao final do livro. Além de histórias e poemas, o que mais se vê no livro é sentimento de amor, de ternura. 

Contracapa do livro
A única coisa que noto que poderia ser melhor no livro, é a revisão, alguns erros ortográficos  passaram no processo. 

Recomendo o livro para quem quiser conhecer mais sobre a identidade de nosso município, prestigiar autores brasileiros e mergulhar mais em uma parte da cultura rica que temos em nosso país tão grande!


5 de ago. de 2018

1 Imagem, 140 Caracteres # 254

Oi, todo mundo bem? 

Excepcionalmente neste domingo, como explicado na postagem anterior, estamos trazendo a nossa Blogagem Coletiva semanal! 

Antes de disponibilizar a imagem, agradeço pelos comentários na postagem anterior, e aproveito para esclarecer que está tudo bem. O que houve é que meu pai estava trabalhando com uma serra circular e acabou cortando um pedaço de um dos dedos nela, por sorte foi o indicador da mão esquerda (sempre penso que poderia ter sido pior), durante a tarde da sexta-feira. 
Como o caso dele era o menos grave e haviam várias cirurgias para serem feitas no hospital para onde ele foi levado, a cirurgia para retirar de vez a parte do dedo atingida pela serra foi realizada após às 22 horas. 
A parte boa é que ele foi liberado ainda na mesma noite para ir para casa, e está se recuperando bem, fazendo piadas e aceitando até bem o tempo que vai ter de ficar "de molho" - quinze dias sem trabalhar.  


Enfim, estamos de volta!!! 


Vamos à nossa imagem? 






Sei que é desnecessário, mesmo assim estou checando este bendito celular a todo momento. Cadê minha bendita carona? 


Tenham uma ótima semana! 



3 de ago. de 2018

COMUNICADO

Boa noite,gente linda!

Estou escrevendo aqui do celular mesmo, apenas uma rápida mensagem,pois todos e todas que acompanham a Blogagem 1 Imagem, 140 Caracteres esperam há tempos pelas nossas sextas-feiras... E merecem uma satisfação.

Eu iria postar durante o dia,mas foi uma dia tão atípico que nem consegui chegar perto do computador.... E ao final da tarde recebi a notícia de que meu oai está hospitalizado, e terei de ir para lá daqui a pouco.

Se tudo correr bem, postarei a imagem ainda hoje à noite. Se não,terei de fazê-lo amanhã. Quebra a regularidade das postagens, mas pelo menos não deixo ninguém na mão.

Então, até logo!

1 Imagem, Caracteres #472

 Boa noite!!!  Tudo bem com vocês?  Que semana, minha gente. Começando com alagamento em várias regiões do estado, dias sem aula (mas trabal...