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16 de fev. de 2021

Uma carta apenas

 Ontem fez um mês. Um mês. 

Passou rápido, pai. 

Ainda lembro da hora em que 2020 deu lugar a 2021 e você estava do meu lado, comigo segurando sua mão enquanto a alimentação descia lentamente pela sonda. E aquela maldita febre que dia sim dia também começara a dar o ar da graça. 

Ainda assim você viu 2021 chegar, e ainda metade de um mês deste novo ano. Um início de ano triste, com poucas expectativas e fogos tímidos ao longe, por causa da pandemia que ainda não foi embora. 

Não, pai, ainda não tem vacina para todo mundo. Ainda estamos indo trabalhar com medo de pegar esta maldita doença, que a alguns afeta pouquíssimo e  a outros tira a vida ou parte dela. E nossos representantes-mor continuam atrapalhando o programa de vacinação, infelizmente. 

Só no domingo passado tive coragem de ir, junto com minha mãe, visitar novamente o local onde nos despedimos pela última vez. Retirar as coroas de flores já secas, colocar ao menos um vasinho com flores até que seu túmulo, escolhido com carinho pela mãe, fique pronto, como seu legado final neste mundo. 

Não foi tarefa fácil escolher uma foto, sabe? Cada foto que a gente observava tinha uma história atrás dela, mas enfim escolhemos. 

A mãe está bem, fique sossegado. Ela sabe seguir em frente como poucas pessoas nesse mundo. 

Eu também estou bem, nós todos vamos ficar bem. E esperamos que você também esteja. Nossa religião acredita no reencontro, no Reino que há de vir depois do juízo final. De qualquer forma, acredito que sim, você está descansando e nada mais te incomoda. A febre foi embora, o joelho não incomoda mais e você não precisa mais ficar aflito por estar em uma cama sem conseguir falar ou se mexer direito.

Ainda sinto que não te dei atenção o suficiente. Mas imagino que mesmo que estivesse junto contigo o tempo todo, ainda assim teria sensação semelhante. Sabe, pai, a gente muitas vezes passa a vida achando que não se é, não se tem ou não se faz o bastante. E se culpa muitas vezes com razão.. e outras vezes nem tanto assim. O que fiz ou deixei de fazer agora na verdade já não importa tanto. Como também não vai mais fazer diferença para você, ou para a gente, ficar pensando nos muitos "e se"... que poderiam ter mudado os rumos desta história toda. 

Estamos bem.. Vamos todos ficar bem. Fica em paz! 

 


5 comentários:

  1. Marina, linda e emocionate carta ao teu pai. As saudades existem,ele faz falta, mas sabes que está descansando e na Paz e isso conforta teu coração e o da tua mãe. Fiquem bem! beijos, chica

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  2. Ola, querida amiga Mari!
    Gostei muito do que escreveu. A dor não se vai, mas alivia um pouquinho nosso ��.
    Que Deus conserve nossa serenidade e o Espirito Santo de Deus nos console! Faz doze este ano do meu.
    Não dá para esquecer.
    Esteja bem, amiga, proteja-se!
    Beijinhos

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  3. Boa tarde. Uma bela carta, um ritual perfeito de despedida e entrega. Grata por compartilhar conosco seus sentimentos, pensamentos, sua despedida carinhosa do seu eterno pai. bjs

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  4. Boa tarde Mari,
    Uma carta emocionante e bela dirigida a seu Pai que partiu!
    Que Ele esteja na paz de Deus e dos anjos!
    Grande abraço e beijinho.
    Ailime

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  5. Que linda carta, Mari
    Seu pai está bem longe de sofrimento e dor.
    Um beijinho carinhoso para você.
    Verena

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